quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ohm

O desgraçado estacionou o carrão na garagem da sua casa de praia, desligou o motor e zanzou um tempo por ali procurando alguma mancha de óleo que teria vindo do seu carro. De camisetona, bermuda jeans e chinelo de dedos, ele tinha todo o sossego que seus deméritos lhe proporcionaram ordinariamente. Naquela casa afastada, o som do mar era um mantra constante. O que deveria ser o som de harpas do inferno.

Ele entrou desgraçadamente com seu jeito metido na casa, checou as horas, e passando pela sala viu um pacote e um envelope. Era estranho ter recebido correspondência no meio do nada. Serviu-se de um drink que seu dinheiro desgraçado pagou, colocou duas pedrinhas de gelo, abriu o envelope e começou a ler:

"Caro desgraçado,

Te entrego esta carta de despedida, pois quero dizer adeus. Apesar de uma despedida trágica não ser a forma mais elegante de se interromper um processo, penso que neste momento ela é necessária e bem adequada. Na vida precisamos colocar muitos pontos finais contra a vontade, e às vezes a própria vida necessita de um.

Às vezes as pessoas aguentam sapos secos guela abaixo por burrice ou falta de opção, mas devo dizer-lhe que tenho aversão ao anfíbio. Digo-lhe também que conservo a calma e a boa educação mesmo sendo uma pessoa que guarda rancor, ao contrário do que aconselha-se costumeiramente. Tenho um armário cheio de rancor lá em casa e vou me desfazer de pelo menos parte dele ao final desta carta. Dizem que raiva e rancor fazem mal à saúde , que provocam úlceras e ataques cardíacos, algo de que eu discordo veementemente. Falo por mim, não pelos outros. Temo que meu rancor faça mais mal aos outros do que a mim. Algumas manhãs eu abro o meu armário, passo e visto meu rancor como se fosse uma camisa velha, tomo café e vou viver um dia rancoroso. Hoje é um bom exemplo.

Mas algo que me impressiona é como você não guarda nada além de bosta. Digo, coisa alguma. Você só faz acumular merda em volta de você e tentar fazer com que quem está próximo se afogue nela. Você é um estorvo. Sua existência consiste unicamente em estorvar. Seus pais foram infelizes na trepada que originou a sua existência desgraçada. Pena que naquele dia a sua mãe não estava com dor de cabeça. É uma pena mesmo. E agora você só vive a estorvar a vida de todos, exceto por um seleto grupo de outras pedras no caminho.

Existem muitas coisas revoltosas no mundo, mas não quero tornar esta despedida de toda queixosa. A vida também nos dá motivos para soltar um riso de esguelha. E sorriso ou reclamação são muitas vezes uma questão puramente de bom ou mau humor momentâneos. A reclamação atendida também é motivo de sorrisos largos.

Junto com esta carta você recebeu um pacote pesado. Se ainda não tiver aberto, pode abrir agora. Tive muito cuidado para ter certeza de que você receberia tudo em um momento no qual você estivesse sozinho em casa. Para poder refletir. No pacote tem uma metáfora. É um tijolo. Sei que não é muito original, mas é adequado. Simboliza um tijolo a menos no muro que você construiu para estorvar com mais eficiência.

Tento ser artístico de vez em quando. Esta despedida acabará sendo mais importante para você do que para mim. Achei que sendo um pouco artístico ela ficaria mais interessante do que um simples adeus acenado. Sei que você deve estar pensando que seria melhor que eu me explodisse, mas espero que você leia esta carta até o final. É importante para mim.

Gostaria que você pedisse desculpas a quem você tem faltado com a gentileza nos últimos tempos. "Últimos tempos" seria a condensação de toda a sua existência. Você deve ter sido imoral e inescrupuloso até na hora de nascer. E quem via aquele bebê na maternidade não conseguiria imaginar o bolo de bosta que você se tornaria mais tarde. Mas sei que o seu pedido de perdão não viria sinceramente de você, e eu prezo muito pela sinceridade nas pessoas. Mas também seu perdão não viria nesta vida. Você é como diz o título daquela música, Imperdoável.

Acho que isso já basta de reflexão. A partir de agora tanto faz o quanto você quiser pensar a respeito. Eu também quero que você se exploda. Saiba que me dirijo a você e, resposta ao seu costume de enfiar sapos e outras coisas mais pela garganta dos outros. Pensei até em espalhar dezenas de sapos pela sua casa para tornar a metáfora mais impressionante, mas seria muito despendioso e não vejo por que maltratar os animais.

Mas saiba que sou meticuloso. Embora você pense estar completamente sozinho nesta casa de praia, saiba que existe alguém pelas redondezas neste momento esperando que você termine de ler esta carta.
Sou eu!
E sugiro que você dê um sorriso de desespero agora, seu merda.

Também fui meticuloso com a minha metáfora, e se você quiser destruí-la, esteja à vontade. Pode jogá-la no chão ou dar-lhe uma martelada. Tenho certeza de que em mim não irá doer. E se você decidir correr, não tenha medo, vou te recepcionar bem aqui fora com muitas outras metáforas. Seria gratificante apresentar-lhe mais de minha arte.

Pois bem, como eu disse, às vezes a vida precisa de um ponto final, e este é o fim da sua. Eu disse que queria que você se explodisse e isso foi completamente literal. Sugiro que você olhe bem para o pacote que recebeu e veja uma luz graciosa vindo para você. Os outros pacotes espalhados pelos cômodos da sua casa irão garantir que qualquer tentativa de fuga seja explosivamente frustrante.
Vá buscar o seu perdão no inferno, desgraçado. "

Pelas lentes do binóculo notei a agitação do sujeito ao terminar de folhear a última página. Apertei o botão do meu controle remoto e assisti aquela bela casa ir pelos ares. O som da explosão misturou-se com o barulho do mar e curti aquele mantra por alguns instantes. Sentado no chão com as pernas cruzadas, fechei os olhos e entoei, " Oooohhhhmmmmmmmm". Por vários minutos, até que o pôr-do-sol avermelhado começasse a tomar conta.

Charles B. S.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Nirvana

Sentado no parapeito da cobertura do prédio mais alto da cidade eu acendi um cigarro, traguei, e soltei a fumaça devagar. Me senti bem. Respirei e traguei de novo. Fazia um belo pôr-do-sol e as ondas quebravam silenciosas na praia, refletindo a vermelhidão do céu de fim da tarde. Era um fim de tarde especial, saboroso, e vermelho-fogo era uma cor e tanto. Senti que talvez o mundo não fosse regido pelo acaso. Aquele céu parecia ter sido pincelado por um pintor talentoso e inspirado, e não por probabilidades aleatórias. Ou talvez fosse só a quantidade de endorfina no meu sangue, fazendo-me impressionar com a beleza do mundo que até então estava oculta. Algum filósofo disse um dia que a beleza está nos olhos de quem vê. Pois bem, meus olhos deviam estar lindos naquele dia.

Levantei do parapeito com um pulo, dei a última tragada no cigarro e fui até o freezer buscar uma das cervejas caras que eu havia comprado com dinheiro roubado. Nem lembro de quais marcas eram elas, mas lembro que os preços eram os mais altos da prateleira de uma loja cheia de prateleiras caras e queijos finos. Mas não comprei queijo nenhum. Comprei 5 big mac's e um sundae com o mesmo dinheiro da cerveja e me lembrei de uns conhecidos meus que odiavam o imperialismo norte-americano. A vida é mesmo irônica. Aqueles ideais não me serviriam de nada naquela tarde. Tampouco para eles... coitados. Às vezes penso em me arrepender por ser uma pessoa relativamente brusca, mas esta é apenas uma das coisas que passam batidas pela minha cabeça sem receber a atenção que gostariam.

O sol já havia sumido por debaixo das montanhas no horizonte quando terminei minha terceira cerveja e ouvi a campainha tocar. Abri a porta com outro cigarro aceso entre os dedos, uma sobrancelha erguida e voz de bandido:
- Just in time, baby.

Já me criticaram muito na vida por eu ser uma pessoa que gosta da cultura norte-americana. A vocês que muito me dizem eu digo: "Fuck you, bastards!". Gosto muito de muitas coisas brasileiras apesar da cara de gringo cabeludo. Mas prefiro blues à bossa nova. E que se fodam, tanto faz o meu gosto musical. Sempre uso fones de ouvido, ao contrário de milhões de babacas que infelizmente chegaram a nascer. Espero que vão todos para o inferno ser enrabados pelo pinto incandescente do diabo todos os dias ao longo de toda a eternidade. E espero que a eternidade seja longa o suficiente para nunca pegarem gosto pelo castigo.

- I know -disse ela enquanto clicava um isqueiro estiloso de chama verde - Passei fazer umas comprinhas antes. Tcharam! - E foi então que eu vi aquelas mais de 10 sacolas enormes e cheias no corredor.
- Quem trouxe tudo isso aqui em cima?
- Mandei o taxista trazer.
- Hummm, gibis!
- Comprei pra você, gostou?
- Yá! ... Wow, quanto cigarro! ... Roupas... roupas? Sobretudo... calça, colete verde. Dois de cada...
- Sob medida! Há! - e deu uma piscadela malandra.

Carreguei tudo pra dentro, mijei uns dois litros, lavei as mãos e subi as escadas que davam para a cobertura. Ela estava debrussada no parapeito com uma das nossas cervejas caras.
- Pra que tanta sacola?
- Só pra gastar dinheiro. Torrar à vontade dá prazer mesmo. Passei naquela lojinha de charutos do shopping e comprei uns 12 isqueiros. Depois passei na loja de caça e pesca e comprei uns brinquedinhos pra nós.
- Molinetes?
- Trouxe uma semi-metralhadora pra mim, uma 12 pra você, uma 9 mm pra cada um e um moooonte de munição - disse ela contando cada item nos dedos da mão - Outra hora a gente compra mais. Pensei em trazer uns fogos de artifício, mas achei que hoje a gente não iria precisar.
- Por essas e outras que eu te amo com a intensidade de um traque de São João.
Busquei mais uma cerveja pra cada, duas cadeiras, e o cinzeiro era o chão.
- Você viu o pôr-do-sol hoje?
- Vi! Parecia um quadro!
- Foi o que eu pensei. Faltam 30 segundos, tem algo a dizer?
- Não sei... Tenho... Acho que a gente pode fazer um brinde - 5 segundos de silêncio. Aproveitei para tomar um gole enquanto esperava - Às bostas vivas do mundo, que hoje, mais do que nunca, são bostas mortas - disse ela levantando a latinha reluzente.
- Saúde! - bati a minha latinha na dela.

E então o primeiro estouro aconteceu. E eu senti como se uma onda de calor prazerosa atravessasse o meu corpo. Foi como um afago na alma. Abri um largo sorriso de felicidade na sua forma mais pura, olhei para o lado e vi que ela tinha o mesmo sorriso no rosto. Encostei a minha cabeça na dela e traguei.

O segundo estouro veio ainda antes do primeiro prédio vir ao chão, e a partir daí o terceiro, o quarto o quinto, o sexto, o vigésimo oitavo... Eram como os fogos de artifício que eu via pela TV do colo da minha mãe ou da minha vó toda virada de ano.
E eu me sentia no colo do universo.Tão confortável quanto um feto no útero. O som do ruir daquelas construções parecia uma cantiga de ninar e o universo continuava embalando o nosso berço.
O fogo e a fumaça preencheram o céu como pinceladas bem dadas, e o último estouro, já bem distante do nosso mirante, não pôde ser ouvido. Mas a chama da explosão pareceu-me um beijo de despedida mandado de longe. E eu sabia que sentiria saudades...
E a cidade toda veio abaixo. Com a sutileza do farfalhar de uma árvore no vento do outono. Que derruba todas as suas folhas que por segundos flutuam suavemente para depois se decomporem na terra úmida.
Se a beleza está nos olhos de quem vê, naquela noite ela estava nos meus. E nos dela.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Contra-Mola

Contra-mola não se encotra,
Como se conta até dez,
É preciso ser do contra,
E não contar com ninguém,
Que só roda por nascer já engrenado,
Congestionado nas vias de fato.

Contra-mola,
Contra-senso,
Tem à volta,
O olhar tenso,
O olhar vesgo,

O olhar dos mesmos,
Para os mesmos,
Todo o tempo,
Rodam presos, Engrenados,
Cronometrados e solitários.

Contra-mola, Cantarola,
Grita não,
Descontrai,
Se você por um acaso,
Se cansar do maquinário,
Não guentar mais ver porca nem bitola,
Não te amola,
Pula fora,
Uma hora,
Essa merda explode.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Notas de uma boca suja

08/09/2008

Caiu um dente da minha boca e eu o guardei. Me senti podre hoje à noite quando vi aquele dente caindo. Eu tinha escovado os dentes pela manhã, mas pouco tenho escovado nos últimos tempos. Acho que mais alguns dentes estão por cair. Vou esperar mais uns dias e ver se minha boca piora.

22/09/2008

Senti uma ranhura nos lábios hoje pela manhã. Quando passei a língua nos dentes da frente ela se cortou e percebi que quebrei um deles. Acho que rangi os dentes com muita força enquanto dormia.

Sempre acreditei no ditado que diz que vaso ruim não quebra, mas aprendi que o mesmo não acontece com dentes podres.

05/10/2009

Tentei consertar meu dente quebrado com durepox na última semana, mas não consegui, não gruda. Além do que um dente com uma parte cinzenta me produz uma aparência desagradável. Mas o problema é a língua que já está cheia de cortezinhos profundamente dolorosos.

Decidi arrancar o resto do dente com um alicate. E isso sim doeu muito. Não consigo estancar o sangramento já tem mais de hora. Pelo menos vou parar de cortar a língua toda vez que ela se mexer involuntariamente.

08/10/2008

Minha gengiva inchou tanto e dói tanto que não consigo comer nada sólido desde anteontem. E por causa disso minha língua piorou e pelo menos mais uns três dentes parecem a ponto de cair. Acho que me falta vitamina C.

Acho que produziria uma sensação engraçada se eu conseguisse passar a língua no meio dos buracos que ficaram na minha boca se não produzisse tanta dor. Tentei quatro analgésicos diferentes para tentar diminuir meu sofrimento bucal, mas acho que ele só diminuirá com morfina.

09/10/2008

Vou vender meu microondas e comprar o que der em morfina. Não planejo comer nada quente por um bom tempo.

10/10/2008

Adoro morfina. Acho que vou vender a geladeira.

16/10/2008

Não como há quatro dias e mais doze dentes caíram podres. Acho que não deve ter vitamina C em morfina.

17/10/2008

Vaso ruim não quebra, é bem verdade.

19/10/09

Vendi o sofá e comprei mais morfina. Vou tomar tudo de uma vez. Metade da minha língua caiu ontem a noite e só me sobrou um dente ridículo. Acho que vou me despedir deste caderno. Parece meio esquisito, eu sei, mas quero me despedir de alguém.

Vou segurar o caderno enquanto injeto. Talvez aquilo no que a gente estiver encostado siga junto para o outro mundo, vai saber.

Bom, adeus para quem fica.

Até.


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Porquinho

Cheguei na faculdade apressado. Eram 7 e meia da noite e ele logo sairia de seu escritório fedido à merda e pegaria o seu carro fedido à bosta para seguir fedendo a estrume até a sua casa-chiqueiro. Então me apressei.

Eu tinha roubado uma cópia da chave do seu carro, então fui ao estacionamento, abri o porta-malas, me enfiei dentro e lá fiquei. Esperando. Mas não muito. Ele foi rápido. Estávamos em sincronia eu e o porco enlamaçado.

Senti que ele estava chegando quando o fedor de carniça começou a ficar insuportável. O carro deu uma balançada quando ele entrou, o motor ligou e o carro arrancou.

A viagem até o condomínio pestilento não demorou mais do que 15 minutos e esperei mais uns 10 após ele ter saído para arrebentar o banco de trás e sair daquele carro. Ali na toca o fedor já era tão intenso que eu precisei colocar a máscara de gás antes mesmo de chegar à porta de sua casa. E lá chegando eu fui bastante ríspido, por assim dizer. Arrebentei a porta com um ponta-pé bem dado digno de um filme de macho e me senti poderoso.
E lá estava ele, deitado em seu sofá, todo suíno.
- Você é mesmo um merdinha, hein?
Ele nada falou, apenas grunhiu.
- Merdinha, hein? Seu porquinho - eu puxei uma poltrona e me sentei de frente pra ele a uns 2 metros de distância e ele se encolheu no canto do sofá enquanto grunhia e peidava de medo da pistola que eu apontava pra ele - bela criatura o senhor. Pensei em carneá-lo, mas se a sua carne tiver um centésimo do odor que você exala, acho que não teria valor comercial. Então só vou arrancar o seu couro à faca, derreter o resto com o ácido mais forte que eu encontrar jogar e ralo abaixo.
Quando viu o cutelo bem afiado que eu tirei da cintura ele grunhiu tão alto que alguma coisa em sua garganta deve ter estourado, pois ele não conseguia mais produzir som algum. Apenas uma respiração chiada e ofegante.
- Imbecil, você acha que eu gastaria mais do que 2 segundos contigo, seu merda?
Dei-lhe dois tiros na testa, dei as costas e sumi.

Acompanhei os jornais nos próximos dias, mas não vi nada além de uma nota na seção dos obituários: "Porco é abatido em casa de maneira rudimentar. Que seu espírito de porco descanse em paz."
Fechei o jornal, joguei-o no lixo e dei uma risadinha.

sábado, 5 de setembro de 2009

Lazarus

Lazarento,
Filho da puta,
Eu quero é que você tome danoninho,
Todas as manhãs,
Ao som de foda-se.

Lázaro,
Você é esse pote de maionese,
Cheio de cigarros,
Que anima nossa noite,
Feito chuva no sertão.

Lázaro,
Apesar de chover no sertão,
Você está erradão,
Você está Eva Adão,

Não é verdade,
A verdade é uma só,
Você está lá,
Zero,
À esquerda.

É mentira,
Outra vez,
Às vezes eu minto também,
Às vezes tudo é uma mentira,
Acorrente-me Lazarus,
E tire uma fotografia dos nossos pecados,

E registre a grande bosta,
Que é a vidinha azeda,
Com gosto de limão,
Amarga com gostinho de cerveja,

E me faça um favor,
Mande o resto todo,
Em sua totalidade,
Se explodir,

Ser ex,
Por que eu não quero mais,
O resto não tem vez aqui,
Por que o resto é resto,
E que se acabe como as cinzas neste pote de maionese.


Valentina Covarde e Charles Boca Suja

domingo, 23 de agosto de 2009

Laço

Meu carretel foi gasto,
Em trançados de costuras e remendos,
Das partes mais gastas e esfarrapadas de mim,
E às vezes de arremedos,
De medos enrolados em si mesmos,
Emaranhados,
Amarrados pelo pescoço em nós cegos,

Até que o fio da meada,
Um dia desfiou-se.

A linha que me ligava a você,
Era um laço,
Hoje é linha tênue,
A estupidez nos fez fazer linha dura,
E fizemos de nossa ligação,
Uma corda,
Uma forca.